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OPINIÃO -
Dia Mundial da Criança

Opinião de Marco Alves

 

As bolas de sabão que esta criança

Se entretém a largar de uma palhinha

São translucidamente uma filosofia toda.

Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,

Amigas dos olhos como as cousas,

São aquilo que são

Com uma precisão redondinha e aérea,

E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,

Pretende que elas são mais do que parecem ser.

Algumas mal se vêem no ar lúcido.

São como uma brisa que passa e mal toca nas flores

E que só sabemos que passa

Porque qualquer cousa se aligeira em nós

E aceita tudo mais nitidamente.

 

Hoje, 1 junho, comemora-se o Dia Mundial da Criança. Esta efeméride assinalou-se pela primeira vez em 1950 por iniciativa das Nações Unidas, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas que as crianças enfrentavam. Nesse mesmo dia, os Estados-Membros reconheceram que todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e a crescer num clima de Paz e Fraternidade.

Sem debater o tema, deixo aqui duas notícias da semana anterior para que o leitor faça uma profunda reflexão:

– “Bebé encontrado sozinho em rua de Braga já estava sinalizado e será institucionalizado.”

– “Crianças portuguesas não vivem em casas saudáveis, avisa UNICEF.”

As crianças são o futuro do nosso mundo, se educarmos desde cedo com bons pensamentos, palavras e ações, elas não necessitarão de ser penalizadas enquanto adultos.

OPINIÃO -
A relevância da percepção dos consumidores

As organizações vivem em contante aprendizagem, superação e resiliência procurando adaptar, corresponder e surpreender positivamente os cliente e consumidores, tentando apresentar produtos e serviços certos, a um preço certo, distribuídos no sítio (físico e/ou online) certo e comunicados de forma eficiente e atrativa.

A insatisfação dos consumidores mais exigentes contribui para uma verdadeira oportunidade de crescimento e inovação, promovendo a melhoria continua e para uma contante adaptação das organizações ao mercado cada vez mais exigente.

A reclamações dos clientes são essencialmente, histórias, experiências e vivências concretas de consumo, cuja análise, gestão e resolução são fundamentais para o sucesso contínuo de um empresa. Por outras palavras, o sucesso das empresas depende muito da forma como esta atrai, gere e mantem os seus clientes, bem como, na capacidade de nutrir, alimentar, cuidar e torna-los cada vez mais relevantes para o seu negócio.

A insatisfação dos clientes são, na maior parte das vezes, uma oportunidade de reconquista que os clientes dão às empresas, porque gostam das mesmas ou pretendem permanecer, pois, pior do que reclamar é não fazer nada, ignorar e nunca mais voltar, procurando alternativas na concorrência. Um consumidor que não tem interesse numa empresa ou nos seus produtos, não gasta energia ou tempo a fazê-lo e pior do que isso a empresa está a perder clientes e não sabe as razões do abandono dos mesmos.

Dar ouvidos e atenção aos clientes tem sido cada vez mais importante, procurando compreender as suas perspetivas, razões, expectativas e desejos, identificando aspetos positivos e negativos, implementando soluções personalizadas, ajustadas e diferenciadas às da concorrência, acrescentando valor nos produtos ou serviços, bem como, na relação com o cliente. 

Temos consumidores cada vez mais atentos, informados e participativos que procuram estar presentes e ativos, de forma presencial e/ou digital mostram a sua perceção, a sua opinião, elogio ou reclamação e que vão influenciando de forma concreta e partilhada as suas opiniões que vão fundamentais para a criação de novas soluções e novos produtos capazes de responder às novas exigências, numa crescente e continuada necessidade de alinhar o consumo com a sustentabilidade.

Só um alinhamento constante entre aquilo que os clientes procuram, na sua necessidade, emoção e desejo e a sua experimentação, utilização ou usufruto pode contribuir para um beneficio mútuo, entre as duas perceções e perspetivas, sendo que sem consumidores não existem empresas e estas são cada vez mais relevantes quanto mais capazes forem de surpreender positivamente os seus clientes, deixando a sua marca.

OPINIÃO -
Violência e assédio Laboral: uma ameaça à segurança e à saúde

Artigo de Alice Magalhães, Especialista em Enfermagem Comunitária e Saúde Pública

 

A violência e o assédio no mundo do trabalho são um fenómeno global, transcendendo as fronteiras de cada país, setores económicos e grupos profissionais.

A Convenção sobre Violência e Assédio (nº190), 2019, define violência e assédio como “ … um conjunto de comportamentos inaceitáveis, práticas ou ameaças originadas por uma ocorrência única ou de forma recorrente, que visam, resultam ou são suscetíveis de causar em danos físicos, psicológicos, sexuais ou económicos”.

Esta definição abrange episódios de violência e assédio “ocorridos durante, relacionados ou decorrentes do trabalho: nos locais de trabalho, incluindo espaços públicos e privados, em locais onde o trabalhador recebe pagamentos, faz pausas de descanso ou toma refeições, ou instalações sanitárias, balneários e vestiários, durante viagens relacionadas com o trabalho, formação, eventos ou atividades sociais, através de comunicações relacionadas com o trabalho (…); e, em alojamentos disponibilizados pelas entidades empregadoras, e durante as deslocações de e para o trabalho”.

Existem diferentes tipos de comportamentos, gestos e atitudes, que podem ser entendidos como violência e assédio. Esta ofensa pode ser física, psicológica e/ou sexual e pode ser perpetrada pelos pares, superiores hierárquicos, clientes/utentes, fornecedores e prestadores de serviços.

Violência física. O uso da força física contra outra pessoa ou grupo de pessoas, que resulte em danos físicos, sexuais ou psicológicos. Inclui agressões físicas, pontapés, bofetadas, esfaqueamentos, tiros, empurrões, mordeduras (OIT et al., 2002).

Violência psicológica e assédio incluem abuso verbal, assédio, bullying e mobbing, assédio sexual e ameaças, tudo isto pode causar danos emocionais significativos aos visados (ChappelL e De Martino, 2006). Podem fomentar a destruição da imagem pessoal e o isolamento, retenção de informação, calúnias e ridicularização, desvalorização de direitos e opiniões, definição de objetivos e prazos impossíveis, subutilização de capacidades, etc.(Milczarek, 2010).

Bullying e mobbing são duas formas de assédio moral, que incluem comportamentos ofensivos de forma repetida, através de tentativas de vingança, cruéis ou maliciosas com o fim de humilhar ou prejudicar uma pessoa ou um grupo de profissionais (Chappel e Di Martino, 2006).

Cyberbullying no mundo do trabalho pode ser entendido como qualquer forma de comportamento abusivo contra uma pessoa (ou grupo de pessoas) através das TIC no contexto do trabalho.

Violência sexual e assédio pode ser definida como “qualquer ato sexual ou tentativa de obtenção de um ato sexual, comentários sexuais indesejados, avanços sexuais, ou outras formas e atos (…) dirigidos, contra a sexualidade de uma pessoa através de coação, por qualquer pessoa, independentemente da sua relação com a vítima (…)” (OMS, 2002). 

Existem custos e consequências deste tipo de comportamento? Sim existem!

A violência e o assédio laboral podem afetar a saúde de uma pessoa, o seu bem-estar e dignidade, e simultaneamente ter um efeito adverso nas suas condições de trabalho. 

Para as organizações e para a sociedade, a violência e o assédio laboral:

  • Prejudicam não apenas os seus alvos imediatos, mas também as pessoas próximas. As potenciais “vítimas” incluem colegas de trabalho, familiares, pessoas amigas, pacientes e clientes;
  • Acarretam um conjunto de impactos potencialmente negativos, incluindo o elevado absentismo (devido a medo, doença ou acidentes) com necessidade de substituição de pessoal e respetivos custos de recrutamento, de integração e de formação – bem como a desmotivação, reduzido desempenho e produtividade (Nielsen e Einarsen, 2012);
  • Aumentam o risco de licença por doença em mais de 60 por cento (Nielsen et al., 2016);
  • Faz com que os trabalhadores/as expostos, tenham maior predisposição para cometer erros no trabalho e a prestar serviços de qualidade inferior. No setor dos cuidados de saúde, em particular, isto pode ter consequências potencialmente catastróficas (Mayhew et al., 2004), e resultar em litígios por negligência profissional.

Os/As trabalhadores/as têm relutância em reportar acidentes e incidentes, especialmente em caso de violência e de assédio laboral, mas só se pode intervir sobre o que se conhece. 

 

Para mais informações consulte:

https://www.act.gov.pt

https://www.direitosedeveres.pt/q/vida-laboral/seguranca-no-emprego/

https://www.cite.gov.pt

OPINIÃO -
A Gestão da mudança em tempos disruptivos

Artigo de Rafaela Silva, Economista

 

A digitalização e a consequente desmaterialização, apoiadas por tecnologias como a inteligência artificial e a realidade aumentada, serão as faces mais visíveis dos tempos de mudança exponencial em que vivemos. Relembre-se, num exercício simples, que grande parte das coisas que tínhamos em cima das nossas secretárias em finais dos anos 90, (agenda, calendário, calculadora, telefone, computador), cabem agora num único objeto: o nosso telemóvel. Deixaram de existir fisicamente. E não só deixaram de existir como, algumas delas, se tornaram gratuitas. Vêm com o telefone, e, se não gostarmos, podemos mudar para outras aplicações que são igualmente gratuitas, o que significa que para além da desmaterialização ocorreu ainda a sua desmonetização. Ora, este último efeito teve repercussões profundas ao nível dos modelos de negócios, que mudaram, passando a assentar, muitas vezes, na gratuitidade, pelo menos para níveis mais básicos do usufruto de alguns produtos ou serviços. Esta mudança profunda de paradigma, para além de demonstrar que inovações ao nível do modelo de negócio podem superar e ser mais bem sucedidas do que inovações ao nível do produto/serviço, acentuou a importância das ferramentas de gestão da mudança, e, por outro lado, destacou ainda mais a importância daquilo que se denomina de cultura organizacional. 

Se Steve Blank, percursor do termo “lean start-up”, padrinho do Sillicon Valey, vê a inovação como forma de gerir a mudança, Tarun Wadhwa e VIvek Wadhwa acreditam que, fruto da inovação e para a inovação, é preciso criar uma determinada cultura organizacional e que essa mudança começa nos líderes. 

Os líderes têm que garantir a inovação e gerir a mudança, mas, como fazê-lo? A inovação e gestão da mudança, em tempos disruptivos, fez-se, da parte das lideranças, com uma alteração de papéis. A fórmula “top down”, do topo para a base, não funciona nem na inovação nem na gestão da mudança. Os colaboradores e a gestão de topo têm que estar igualmente envolvidos. Para tal, a função do líder abandonou a noção de controlo e abraçou a noção de coaching: liderar, para inovar e/ou gerir a mudança, passou a ser oferecer um rumo, articular, definir metas, inspirar, motivar e capacitar os colaboradores para irem de encontro aos mesmos, para irem de encontro à visão do líder e ajudarem na sua materialização, não porque sejam obrigados, mas porque acreditam nela e porque nela encontram propósito. 

OPINIÃO -
A Tristeza

Opinião de Hélder Neto, Psicólogo

 

Trago a tristeza, como prometido. Contextualizando: nos últimos artigos, falei das emoções de uma forma geral, tentando descrever as suas funções e importância. Tentei também esclarecer a utilidade de todas, por via da crença generalizada de que existem emoções boas e más, essa crença que nos diz que devemos estar sempre bem, sempre alegres, em busca de emoções “positivas” e evitar as “negativas”. Esta crença que prejudica bastante a saúde mental. Pode causar, por exemple, ansiedade ou depressão, sendo, portanto, contraproducente. Este texto versará sobre a tristeza. Desejo abordar esta emoção porque, para além de o ter prometido no último artigo, este é o estado emocional de que as pessoas mais tentam fugir. Afinal, quem é que gosta de estar triste?

Inicio este parágrafo com parte do sumário de um artigo da revista Neurosciense de julho de 2019; “Os humanos não foram desenhados para serem felizes, mas sim para sobreviverem e se reproduzirem. A evolução deu relevância à depressão, considerando-a uma vantagem, uma vez que prevenia que os humanos se colocassem em situações perigosas e arriscadas”. 

A vantagem de que fala o artigo foi verificada por Joe Forgas, professor de Psicologia na Universidade australiana de New South Wales, que conduziu um estudo em que induziu emoções consideradas negativas, como a tristeza, num grupo de participantes, e emoções consideradas positivas, como a alegria, num outro grupo, monitorizando os seus desempenhos numa série de atividades. As suas conclusões demonstraram que os participantes que experimentaram emoções “negativas” tiveram melhor performance do que o outro grupo na maior parte das atividades. A memória demonstrou ser mais precisa; a comunicação foi considerada mais persuasiva e efetiva; e o julgamento parecia estar mais correto e livre de preconceitos ou outros vieses. 

A tristeza acarreta uma redução significativa do nível de energia, e de prazer nas atividades, por forma a, por exemplo, promover um ajustamento a uma perda, procurar suporte social, criar introspeção e perceber as consequências das nossas ações. Em termos evolutivos, é possível que essa perda de energia tenha tido como objetivo manter os seres humanos vulneráveis (em estado de tristeza), para que permanecessem perto de casa, onde estariam em maior segurança, instigando, dessa forma, a procura por apoio social. A tristeza também serve como um pedido de ajuda, produzido de forma instintiva. Se observarmos um bebé, vemos que quando este sente algum desconforto recorre ao choro para conseguir a ajuda de que precisa. Assim, de um modo geral, o ser humano, sendo eminentemente um ser social, tende a ajudar os seus semelhantes quando estes demonstram algum tipo de tristeza ou sofrimento.

Numa outra perspetiva, olhando o seu lado positivo, a tristeza, é também responsável por obras de arte como o “Só”, obra literária, maior, de António Nobre, a pintura de Monet “O Amor Por Camille”, a “Lacrimosa”, composição de Mozart, ou “The Eternal” da banda musical “Joy Division”, citando apenas alguns de entre uma infindável quantidade de exemplos.

Em jeito de conclusão, da próxima vez que sentirmos alguma emoção, lembremo-nos deste artigo e escutemos a mensagem, tentando perceber o que a emoção nos está a dizer e qual a sua função. É muito importante possuirmos a noção que estas emoções são informações, por oposição a ordens, podendo nós decidir o que é melhor para nós. As mensagens que as emoções transmitem são demasiado importantes para serem ignoradas, sendo que, por isso, tentar ignorá-las ou evitá-las só faz com que elas se intensifiquem e sejam mais frequentes.

OPINIÃO -
Planeamento de emergência em Proteção Civil

Artigo de João Ferreira

 

Sabe o que é um plano? Com certeza que sabe, constantemente de forma natural já delineou um. Programar uma ida a um lugar, o que precisa para chegar a esse lugar, o tempo que demorará com e sem imprevistos, qual o melhor ou mais rápido percurso, mas sobretudo, qual a melhor estratégia para não correr riscos. A todo este processo chama-se planeamento.

Como funciona o planeamento em emergência de Proteção Civil e qual a estrutura de um Plano?

Bem, antes de mais os planos de emergência quanto ao seu âmbito ou extensão territorial podem ser Nacional, Regional, Distrital, Municipal e quanto à sua finalidade podem ser Gerais ou Especiais. Os planos especiais podem abranger áreas homogéneas de risco de extensão supra municipal (entre municípios) ou supra distrital (entre distritos).

Assim, planeamento é um processo que engloba análise, organização, planificação e coordenação dos recursos disponíveis para as fases de mitigação/ preparação/ resposta/ recuperação de situações de emergência grave na comunidade local.

Os planos de emergência de proteção civil são, assim, documentos desenvolvidos com o intuito de organizar, orientar, facilitar, agilizar e uniformizar as ações necessárias à resposta. Como tal, deverão permitir antecipar os cenários suscetíveis de desencadear um acidente grave ou catástrofe, definindo, de modo inequívoco, a estrutura organizacional e os procedimentos para preparação e aumento da capacidade de resposta à emergência.(Fonte:ANEPC)

Tipicamente a sua concepção divide-se em quatro etapas cíclicas: Elaboração, Aprovação, Validação e Revisão

Os planos de emergência devem ser estruturados em três partes: Parte I – Enquadramento, Parte II – Execução e Parte III – Inventários, Modelos e Listagens. 

Usemos como exemplo e a uma escala local o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC). Este é elaborado pela câmara municipal, carece de dois pareceres positivos, um da Comissão Municipal de Proteção Civil e um outro da ANEPC, sendo positivos passa para a etapa de apreciação e aprovação efectuada pela Assembleia Municipal. A terceira etapa (validação) passa por realizar exercícios com uma periodicidade máxima de dois anos, por fim e de forma cíclica a revisão deverá ser realizada no prazo máximo de 5 anos, podendo ser excepção este período relativamente aos planos especiais.

Sabia que pode fazer parte deste processo? A elaboração dos planos de emergência de proteção civil inclui uma fase de consulta pública das suas componentes não reservados e no final da consulta pública, a entidade responsável pela elaboração do plano deverá integrar no plano as observações pertinentes apresentadas, bem como elaborar e submeter à comissão de proteção civil territorialmente competente um relatório da consulta pública no qual se explicite o período durante o qual a mesma decorreu, os meios utilizados, os contributos recolhidos e a sua incorporação no plano.

Após a aprovação, compete à entidade responsável pela elaboração do plano assegurar a correspondente disponibilização pública, nomeadamente no respetivo sítio da internet assim como a ANEPC disponibilizará no Sistema de Informação de Planeamento de Emergência – SIPE. Pode consultar estas e outras informações na Resolução n.º 30/2015, de 7 de maio, da Comissão Nacional de Proteção Civil e/ou na página da ANEPC. 

Seja participativo em acções de Proteção Civil. Cada vez mais o cidadão tem um papel preponderante, desde a preparação à mitigação, da resposta à reabilitação.

Assim teremos garantidamente, uma comunidade mais resiliente.

OPINIÃO -
O medo

Opinião de Hélder Neto, Psicólogo

 

No último artigo tentei desmistificar a ideia de que existem emoções boas e más, instigando o leitor a percebê-las todas como úteis e importantes. Descrevi as seis emoções, comummente consideradas universais, quanto à sua função e utilidade, mas de uma forma sucinta, por isso pretendo, nesta crónica, e nas próximas, descrever cada uma de uma forma mais extensa. Volto, desta forma, à temática das emoções por ser, na minha opinião, assunto extenso e importante. Posto isto, versarei, desta vez, sobre o medo. 

O nosso cérebro tem muitos milhares de anos de evolução, sendo a maior parte desse tempo dedicado à programação de uma vivência do ser humano imersa num ambiente no qual se verificavam constantes ameaças à sobrevivência da espécie, ameaças essas relacionadas com as temperaturas extremas, infeções, predadores, escassez de alimentos, entre outras. Essa evolução dotou-nos de um leque de emoções que permanecem até hoje, por via de nos garantirem mais hipóteses de sobrevivência. Entre essas emoções está o medo, uma emoção que nos prepara para lutar ou fugir sempre que nos sentimos ameaçados. Em termos de sobrevivência da nossa espécie, esta emoção tem vantagens indiscutíveis. Quem tivesse medo e se preocupasse com os barulhos na floresta, ou em ter alimentos suficientes para passar o inverno, teria muito mais hipóteses de sobreviver do que quem estivesse despreocupadamente a apreciar a paisagem ou a relaxar junto de um riacho. Somos herdeiros desses nossos ancestrais carregados de medos. 

Como já foi referido, esses medos foram necessários à nossa sobrevivência, conquanto que, esses comportamentos fossem sendo ajustados na medida certa, sempre em prol da continuidade da nossa espécie. Assim, um comportamento demasiado prolongado de fuga ou evitamento colocar-nos-ia numa situação de desvantagem, visto que o sucesso da preservação da espécie exige reprodução que, por sua vez, dependeria de atividades de alimentação, abrigo e acasalamento, ações estas incompatíveis com a fuga e evitamento. Este tipo de comportamento – fuga e evitamento de situações potencialmente ameaçadoras – é observado, atualmente, em psicopatologias, tais como a perturbação de ansiedade social. Felizmente, existem tratamentos para essas perturbações, proporcionando, por conseguinte, a contribuição para a perpetuação da humanidade, tal como homologamente, teria ocorrido, potencialmente no tempo dos nossos ancestrais das cavernas. 

Nos últimos anos, em termos evolutivos, demos um salto. As emoções poderão estar ligeiramente desajustadas com as necessidades ambientais. Neste sentido, quando passamos em frente a uma confeitaria, e olhamos uma bola-de-berlim, as nossas emoções, bem assim como o nosso instinto, dizem-nos para comê-la. Todo aquele açúcar remete para ganhos de energia, sendo essa energia essencial para fugirmos de um tigre dentes-de-sabre, quando necessário. O problema, nos dias de hoje, é que não fugimos de tigres. 

Todavia, esta emoção, que nos ajudou a sobreviver como espécie, é poderosa e está tão arreigada em nós que é utilizada para nos instrumentalizar. Podemos observar essa instrumentalização em vários aspetos da nossa vida quotidiana como, por exemplo, quando somos exaustivamente submetidos, pelos media, a notícias sobre guerras, sobre vírus, sobre vulcões, sobre a seca, e sobre tantas outras tragédias. Este fomentar dos nossos medos mais profundos, como se estivéssemos em perigo constante, serve para dar lucros aos media, através de audiências, e serve, também, interesses mais obscuros, como a indústria de armamento ou a indústria farmacêutica, para só citar estes. Um último exemplo da utilização do medo manipulador está nos políticos que o usam para ganharem votos, no caso das democracias, ou para controlarem as populações, no caso das ditaduras. 

Sinto sempre que, quando estou a querer aprofundar os temas que aqui escrevo, o espaço se evapora. Assumo, com naturalidade, que muito mais poderia ser escrito. Parece-me, no entanto, que o essencial se encontra devidamente explanado. Sigo para o próximo artigo, para a próxima emoção. Sigo para a tristeza.

OPINIÃO -
Uma necessidade emergente

Opinião de Mário Paula

 

A Comunidade intermunicipal do Cávado é uma associação de municípios  na qual o nosso município está inserido, que possui um relevo preponderante em matéria de desenvolvimento territorial, onde marca a diferença na capacidade de combinar políticas de competitividade e de coesão territorial no que diz respeito a todo o seu território. A mesma é constituída pelos municípios de Amares, Barcelos, Braga, Esposende, Vila Verde e Terras de Bouro.

Na qualidade de deputado da assembleia intermunicipal da CIM Cávado eleito por Amares, marquei presença, no passado dia 26 do mês anterior, na respetiva assembleia da nossa comunidade intermunicipal, onde foi levado até à mesma nos períodos da ordem do dia, uma proposta de apoio a uma problemática à qual nos afeta diretamente a todos, mais propriamente ao nosso concelho de Amares. Como é sabido por todos, o concelho de Amares não está classificado na sua maioria como território de baixa densidade, excetuando as freguesias de Bouro (Santa Marta), Goães, UF de Caldelas, Paranhos e Sequeiros e da UF de Vilela, Seramil e Paredes Secas. 

Para ser sucinto e explicito, quando comparamos Amares com os territórios vizinhos, nomeadamente Terras de Bouro; Povoa de Lanhoso e Vila Verde, estes classificados como de baixa densidade, com base em critérios como o rendimento per capita, não encontramos diferenças que justifiquem as desigualdades criadas com a metodologia que serviu de base para a deliberação da entidade competente, tornando Amares num parente pobre entre os concelhos vizinhos.

Efetivamente, existe um forte impacto desta classificação nas oportunidades de crescimento, competitividade e desenvolvimento, nomeadamente ao nível do tecido social, económico e empresarial de Amares.   Por exemplo, a dificuldade na captação de investimento, onde alguns projetos e candidaturas localizadas no município, não são simplesmente valorizadas e majoradas, ficando as mesmas pelo caminho, causando assim um retrocesso lamentável.

Torna-se assim essencial, que não baixemos os braços e lutemos por este assunto que diz respeito ao nosso concelho e à sua necessidade emergente em tornar o mesmo como classificação de baixa densidade.

É necessário, enaltecer e congratular, o papel do Conselho intermunicipal do Cávado que juntamente com o município de Amares e todas as forças políticas, exemplarmente, apreciaram e votaram favoravelmente à deliberação dos cinco municípios que a compõe para assim fazer chegar ao poder central, as pretensões que todos os amarenses desejam, tornar todo o território do nosso concelho, classificado como de baixa densidade.

OPINIÃO -
A liberdade como um caminho…

Podemos caraterizar liberdade como um direito e uma forma de agir em conformidade com o nosso pensamento, um modo de agir, sem restrições, constrangimentos, de forma livre, procurando atuar em consonância com as ideias, sentimentos e expressões físicas, mentais e emocionais do ser humano.

A construção da liberdade implica, agir de acordo com a autodeterminação individual e coletiva, como um povo ou nação, todavia, para que isso aconteça é necessário, a permissão, a tolerância, a abertura, a aceitação pela diferença, a promoção da liberdade de ação, expressão, mas também justiça, equidade e respeito pela liberdade dos outros ou por outras palavras, a definição da legislação, para que a prática seja uma realidade.

Antes do 25 de abril de 1974 não era permitido, turmas mistas nas escolas, liberdade de expressão, direito de votar, as enfermeiras, telefonistas e hospedeiras da TAP não se podiam casar, não era permitido reunir para discutir ideias politicas, não era permitido festejar o dia do trabalhador, aspetos que demonstravam que não vivíamos em liberdade.

Hoje, 48 anos depois, ainda estamos a construir aquilo que denomina como liberdade, com grandes desafios e obstáculos para que Portugal seja verdadeiramente, um país livre. Os principais desafios da prática da liberdade e democracia, são a busca constante da meritocracia ao serviço da “gestão da coisa pública” em vez da “gestão da influência politico partidária”, onde na maior parte das vezes, se verifica a defesa dos interesses individuais ou de grupos, em vez do bem comum e da sociedade.

A promoção da ética e do respeito da pessoa humana, independentemente, origem, condição ou orientação e sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião ou de outra natureza, origem, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição, pois só desta forma, teremos uma sociedade livre.

O combate à corrupção, que deve ser uma prática constante, procurando incentivar, educar e motivar as pessoas para a promoção do trabalho, do mérito, da competência individual, em vez da utilização da influencia e da “cunha”, fator que não contribui para uma sociedade justa e equitativa.

A renovação do sistema de justiça que tem vários e sérios problemas, como por exemplo, a desigualdade de tratamento entre cidadãos, sendo (“fraca” com alguns e “forte” com os fracos), a morosidade e a desadequação da mesma face aos novos problemas da sociedade portuguesa.

O incentivo ao crescimento económico e promoção da iniciativa empresarial, através do apoio ao empreendedorismo, através da criação de condições físicas, económicas e sociais favoráveis à produção de produtos e serviços portugueses, bem como, a promoção do bem estar, contribuindo, para o pleno emprego, bem como, para uma sociedade em constante mudança.

OPINIÃO -
A Qualidade do Ar no interior dos edifícios – Um Problema Invisível

Artigo de Joana Costa

 

Sabia que:

        • Existe poluição do ar interior dos edifícios.
  • O ar interior pode ser duas a cinco vezes mais poluído do que o ar exterior.
  • Segundo a Organização Mundial da Saúde
  • cerca de 3,8 milhões de mortes por ano podem ser causadas por doenças relacionadas com a poluição do ar interior, 
  • a poluição do ar interior é considerada o 8º fator de risco que provoca doenças respiratórias;
  • a exposição à poluição do ar interior é responsável por:
  • 27% das mortes por pneumonia,
  • 18% das mortes por acidente vascular cerebral,
  • 27% das mortes por doença cardíaca isquémica,
  • 20% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica,
  • 8% das mortes por cancro de pulmão,
  • quase metade das mortes por pneumonia em crianças com menos de 5 anos.

Hoje em dia, a maioria das pessoas passa a maior parte do tempo no interior dos edifícios (cerca de 22 horas) o que é preocupante devido à má qualidade do ar interior dos mesmos.

Os poluentes do ar interior têm origem, principalmente, em fontes que se encontram no interior dos edifícios, mas também em fontes exteriores. Cada poluente provoca efeitos negativos na saúde. O aparecimento de sintomas surge devido a vários fatores, tais como o tempo de exposição aos poluentes, a sua concentração e o estado de saúde da pessoa. 

PRINCIPAIS TIPOS DE POLUENTES PRINCIPAIS FONTES DE POLUIÇÃO  PRINCIPAIS EFEITOS NA SAÚDE 
Monóxido de Carbono Esquentador/fogão a gás, lareiras, fumo do tabaco Dores de cabeça, tonturas, morte
Dióxido de Carbono Respiração humana, lareiras, fumo do tabaco Dores de cabeça, cansaço, falta de ar
Compostos Orgânicos Voláteis Tintas, carpetes, inseticidas, velas, fumo do tabaco, mobiliário em madeira, produtos de limpeza Dores de cabeça; irritação na pele, olhos e vias respiratórias; cancro
Formaldeído Mobiliário em madeira, fumo do tabaco, fogão a gás, carpetes Dores de cabeça; tosse; ardor nos olhos, nariz e garganta
Ozono Fotocopiadoras Dores de cabeça; tosse; irritação nos olhos, nariz e garganta
Óxidos de azoto Fogão a gás, fumo do tabaco Tosse; irritação nos olhos, nariz e garganta 
Radão Solos de granito (*) Cancro

(*) O radão passa pelas fissuras existentes no pavimento, paredes, janelas.

Quem pode ser mais afetado pela má qualidade do ar interior dos edifícios?

A má qualidade do ar interior pode afetar a saúde de todas as pessoas, mas há pessoas mais vulneráveis como as crianças, as grávidas e os idosos.

Medidas para melhorar a qualidade do ar interior dos edifícios

Para eliminar ou reduzir os poluentes do ar interior dos edifícios, é importante implementar as seguintes medidas: 

  • não fumar;
  • abrir as janelas diariamente para renovar o ar;
  • abrir as janelas durante e após a realização das limpezas domésticas;
  • abrir as janelas e as portas durante a pintura de tectos e paredes;
  • utilizar tintas e vernizes à base de água;
  • utilizar produtos de limpeza sem solventes;
  • utilizar purificadores do ar, como as plantas de interior;
  • fechar corretamente as tampas dos produtos químicos;
  • reparar as fendas existentes no pavimento, paredes ou janelas.

Qual é a influência da qualidade do ar interior na nossa saúde?

Uma boa qualidade do ar interior dos edifícios contribui para:

  • melhorar a memória;
  • melhorar a respiração; 
  • melhorar a qualidade do sono;
  • aliviar o stress;
  • beneficiar a circulação do sangue;
  • fortalecer o sistema imunológico;
  • melhorar o funcionamento do sistema digestivo.

NÃO SE ESQUEÇA:

  • A má qualidade do ar interior dos edifícios pode provocar problemas de saúde que podem surgir a curto, médio ou a longo prazo.
  • A poluição do ar interior dos edifícios quase nunca é associada ao aparecimento de determinados sintomas.
  • A implementação das medidas para melhorar a qualidade do ar interior é importante para reduzir os riscos para a sua saúde.
  • Uma boa qualidade do ar que respiramos no interior dos edifícios é fundamental para manter uma qualidade de vida saudável. 

 

Fonte:

Organização Mundial da Saúde – https://www.who.int 

http://usp-be.blogspot.com/2019/03/qualidade-do-ar-interior.html